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O Bom Samaritano e o Bom Ateu
O bom ateu é um desafio para todos aqueles que temos fé e que vamos assiduamente à igreja ou ao templo. Penso que todos nós alguma vez escutamos, inclusive da boca de algum familiar ou amigo bem próximo, a frase: “ Não precisa ir à missa para ser uma boa pessoa” ou “Tem pessoas que vão ao templo e são piores do que eu”. Os ateus, são poucos porque a maioria que se dizem ateus o fazem somente para afirmar a sua personalidade, ou então é apenas uma demonstração da indiferença diante do sagrado ou da incapacidade de enfrentar-se com a sua interioridade. Por outro lado, é verdade que existem pessoas que não tem uma prática religiosa e são bons samaritanos. A vida deles pode ser até um exemplo para nós porque ajudam ao próximo com generosidade e dedicação, põem em prática o mandamento de Jesus e certamente herdarão a vida eterna.
É o caso do episódio do evangelho deste domingo. Os fariseus e os Escribas desprezavam os samaritanos porque se haviam misturado com outras raças, já não eram judeus puros e nem adoravam a Deus no Templo de Jerusalém. Eram considerados inimigos, estrangeiros e não praticantes. À pergunta do jurista, doutor da lei: “E quem é o meu próximo a quem devo amar!” e sua segunda intenção também era saber: a quem eu posso excluir do meu amor sem que me impeça de receber em herança a Vida Eterna, Jesus responde com a comovente parábola do Bom Samaritano.
Um homem qualquer caiu nas mãos de uns ladrões que o deixaram tirado ao longo do caminho. Passou um sacerdote, passou um seminarista, homens religiosos que sabiam das leis, que viviam no Templo, que conheciam a Palavra de Deus mas passaram adiante talvez porque tivessem pressa, talvez porque pensassem que estava morto e então deveriam voltar ao Templo para purificar-se de acordo com a Lei Mosaica, talvez porque tivessem medo de serem assaltados também. Passou também um samaritano, que era um estrangeiro, um imigrante, e segundo os judeus não era herdeiro da Vida Eterna e esse sentiu compaixão – sentimento de Deus – e observemos os verbos empregados: chegou perto dele, viu, sentiu compaixão, aproximou-se, fez curativos, colocou o homem em seu próprio animal, levou-o a uma pensão, cuidou dele, pagou os gastos...essa atitude nos lembra o Pai da parábola do Filho pródigo.
Quando o filho ainda estava longe, o Pai o vê, sente compaixão, corre até ele, abraça-o e beija-o e faz uma festa. E mais, sem perguntar-se se a vítima era seu filho, seu próximo, seu vizinho, se ia no seu templo ou se era do seu grupo, se era documentado, o samaritano não mediu esforços para ajudá-lo.
É porque a lei do Senhor, diz São Paulo, está escrita no coração do ser humano. Também no coração do ateu que pode ser gente boa. Na primeira leitura Moisés diz que “Os mandamentos do Senhor não são superiores às tuas forças e nem fora do teu alcance. Não estão no céu e nem além do mar, mas estão em tua boca e em teu coração”. Por isso, não nos surprende que o ateu saiba fazer as coisas certas.
Nós como o ateu, temos consciência do bem e do mal. Mas nós vamos à igreja não porque nos sentimos bons e com direito a receber por herança a vida eterna, mas porque às vezes falhamos e reconhecemos que só Deus é bom e nos pode curar. O ateu, certamente também falha, mas ele prefere não reconhecer.
Nós conhecedores da revelação da misericórdia que nos foi revelada em Jesus Cristo, podemos correr o risco de não entender nada de cristianismo se ao perguntar-nos o que fazer para entrar na vida eterna não praticamos a misericórdia com cada pessoa que está perto, seja quem for ainda que vamos à igreja todos os dias e participemos de grupos e movimentos gritando “Senhor, Senhor”.
Para Santo Agostinho, o homem que descia de Jerusalém a Jericó representa a humanidade ( a nós). No caminho as tentações e os demônios nos assaltam. O bom Samaritano é Jesus que nos cura as feridas, nos leva ao pronto socorro e deixa dois denários para pagar a nossa cura: seu corpo e seu sangue.
Viemos aqui na missa porque temos feridas e precisamos ser restaurados pela misericórdia do Bom Samaritano e para que nos tornemos também samaritanos para com o nosso próximo.
A parte, o que de melhor encontrei aqui na nossa nova paróquia de St. Vincent em Margate, foram os Vicentinos, membros de S. Vicente De Paul. Eles visitam as pessoas em necessidade, conversam com elas relacionando-as com os recursos apropriados. São os bons samaritanos.
Depois de tudo, o que entendi do evangelho de hoje é que o bom ateu tem mais chance de herdar a vida eterna do que o mau religioso.
Pe. Scaravelli, c.s.
Testemunhos
Date: May 18, 2010
Em uma manhã da semana passada recebi um link de minha tia por email, me indicando um site para visitação e para ver as fotos da primeira comunhão de meu primo. Parabenizo vocês por este meio de evangelização. No mundo atual temos que ultilizar de todas as formas para evangelizar.Mais feli...











